YVALDIS
IV · Economia

Terrenos

Documento 15 · 6 min de leitura

O que deu errado no mercado de terrenos virtuais

Para desenhar algo sustentável, os números do último ciclo:

  • Em junho de 2024 os preços médios de terrenos estavam ~95% abaixo do pico na The Sandbox, ~89% na Decentraland e ~85% no Otherside; até 2026 a queda passou de 95% em média.
  • Casos marcantes, comparados ao preço mínimo atual: um terreno de US$ 2,4 milhões na Decentraland (2021) vale ~US$ 9 mil; os 576 lotes de US$ 4,3 milhões na Sandbox valem ~US$ 66 mil; o lote ao lado do Snoop Dogg, de US$ 450 mil, vale ~US$ 1 mil.
  • Por quê: o terreno foi vendido como "escasso" num mundo quase sem jogadores. Não produzia nada, não tinha custo de manutenção (o especulador segurava parado de graça) e o preço dependia de alguém pagar mais depois. Quando os compradores sumiram, sobrou o terreno vazio.

Princípio deste projeto: o terreno vale pelo que permite fazer dentro do jogo (loja, fazenda, casa, vista), não pela escassez, e nunca dá poder de combate. Terreno parado custa caro; terreno usado rende.

Tipos de terreno

Tipo Onde Para que serve Quantidade inicial (mapa de 16 km²)
Casa instanciada Bairro privado (instância) atrás da porta de cada vila Moradia, decoração, estábulo, oficina pessoal Ilimitada; não é NFT, comprada com ouro
Lote urbano (15 × 20 m) Dentro das vilas e da cidade, no mapa compartilhado Loja de jogador, taverna, oficina com vitrine; passa gente na porta ~360
Lote rural (60 × 60 m) Em volta das vilas Fazenda: plantações, criação de animais, moinho, colmeias ~530
Concessão de recurso Zona disputada Mina Velha (perto de Lumen) Mina, pedreira, madeireira: produz material comum em volume 6 no lançamento

Os lotes urbanos e rurais vêm de ~10 vilas; a alfa tem 4 assentamentos (Lumen, Espelho, Galho-Velho e Ramalta, 20 §5) e o Capítulo 1 acrescenta Porto Sal, então as quantidades precisam ser refeitas (20 §12.2).

Total no mapa compartilhado (conta antiga, com 6 concessões no lugar de 40): ~900, contra 166 mil da The Sandbox. Moradia para todos fica nas casas instanciadas, que não são NFT, para que ninguém precise comprar NFT para ter casa.

Como o terreno é distribuído

  • Leilões periódicos, nunca uma venda gigante de uma vez: um lote de terrenos novos a cada temporada, com preço mínimo.
  • Novos terrenos só abrem quando a ocupação passa de ~85% (lotes com construção e atividade recente). A oferta segue a população, em vez de vender um mapa inteiro antes de existir gente.
  • Limites de terra: por KYC, no máximo 3 lotes urbanos, 3 rurais e 1 concessão; por clã, teto de lotes e de concessões (e por aliança, ver 19), para evitar latifúndio especulativo. Mais de uma conta do mesmo KYC não soma cotas.
  • Expansões do mapa (blocos de 4 × 4 km, ver 04) trazem novas vilas e novos lotes.

Imposto e uso (o que evita o terreno parado)

  • Imposto de manutenção mensal, pago em token, proporcional ao valor do lote (estilo imposto Harberger): o dono declara o valor do terreno; o imposto é um percentual desse valor, e qualquer um pode comprar o terreno pelo valor declarado. Quem subdeclara para pagar menos imposto corre o risco de perder o lote; quem superdeclara paga caro. Isso empurra o preço para o valor de uso e acaba com o especulador parado.
    • Proteção (decidida): num lote em uso ativo, o dono tem o direito de igualar qualquer oferta em até 48 horas e ficar com o lote. Uso ativo é provado por transações com jogadores distintos (vendas, aluguel, encomendas), não por abrir a porta ou ficar parado; contas do mesmo clã, IP ou padrão repetitivo não contam.
  • Uso mínimo: sem atividade por 60 dias, o imposto dobra; por 120 dias, o lote vai a leilão e o dono recebe o valor arrecadado menos as taxas. Exceção, modo "pasto": quem avisa que está fora (ausência a partir de 7 dias) suspende a dobra do imposto e a contagem de inatividade; o lote fica parado, sem leilão, e a plantação e os animais pausam (ver 09).
  • Lote inacessível não paga nem perde: enquanto o lote estiver inacessível (vila tomada, engolida pela Névoa Pálida, ver 20 §2), o imposto e a contagem de inatividade ficam suspensos até o lugar ser libertado.
  • Concessão em guerra: a regra Harberger (comprar pelo valor declarado) não se aplica a concessões em zona disputada; elas só mudam de dono por guerra de clã.
  • Regra de ouro, dita com clareza ao jogador: terreno pode mudar de dono, mas só por regra pública (compra pelo valor declarado, leilão por inatividade, guerra de clã numa concessão), nunca por morte, bug ou evento do mundo (ver 08).
  • 50% do imposto é queimado e 50% vai para a recompra que paga as temporadas (ver 14). Sem linguagem de valorização do terreno.

O que o terreno produz

  • Lote urbano: clientes de verdade (movimento de jogadores pela rua) para a loja; bônus de fabricação na oficina; renda de aluguel se o dono alugar.
  • Lote rural: alimento, lã, couro, montarias de criação; matéria-prima que a cidade compra. As plantações seguem estações e clima (ver 09), e precisam de cuidado.
  • Concessão: materiais comuns em volume (ferro, pedra, madeira). Os materiais raros saem só de feitos e lugares difíceis (20 §7), e todo material raro tem uma fonte alternativa menor, para ninguém monopolizar. Em zona disputada pode ser tomada em guerra de clã (ver 13) se não for defendida. Terra nunca dá poder de combate. A Mina Velha é a única zona disputada do lançamento, com 6 concessões.
  • Prédios no terreno são construídos no jogo, por jogadores construtores, com material de jogadores; isso cria demanda para várias profissões.

Aluguel e parceria

  • O dono pode alugar o lote (loja, fazenda) para outro jogador por contrato no jogo, com o pagamento retido e liberado por período.
  • Parceria de produção: o dono do terreno e quem trabalha nele dividem a produção numa porcentagem combinada (meeiro). Quem não tem dinheiro para comprar terra pode trabalhar nela e ganhar.

Venda antecipada (pré-lançamento)

Decidido: não há venda antes do parecer jurídico. Se um dia acontecer, a forma menos arriscada:

  • Vender títulos de fundador de uma quantidade pequena (ex.: 10% dos lotes da primeira região), não o mapa inteiro.
  • O título dá direito a escolher um lote no primeiro leilão e cosméticos de fundador; o lote só é atribuído quando o jogo abre, e paga imposto como qualquer outro.
  • Só depois do parecer jurídico, sem promessa de valorização, com reembolso previsto se o jogo não lançar a primeira região, e com o dinheiro ligado a um orçamento de desenvolvimento publicado.
  • Fora disso, não se vende terreno antes de o jogo existir.

Números a calibrar no alfa

Percentual do imposto (proposta inicial: 0,5% a 1% do valor declarado por mês), limite de ocupação para abrir terrenos novos, período de aviso, limites por conta e tamanho dos lotes.

Terrenos por capítulo

Cada capítulo de 25 traz seus próprios lotes, distribuídos em ondas por sorteio entre contas verificadas, com teto por conta e por clã por capítulo. Nenhuma pré-venda de terra de capítulo futuro.